O grupo Meta e a AMD aprofundaram sua parceria estratégica com a implantação dos primeiros sistemas AMD Helios em escala de rack na infraestrutura da empresa de Mark Zuckerberg. O acordo prevê que o Meta utilize as soluções Helios da AMD para alimentar modelos de inteligência artificial como o agente Muse, além de suporte day-0 para Muse Spark Open e Muse Glimmer.
A colaboração abrange processadores EPYC, GPUs Instinct e otimização de software aberto, com implantação em escala de gigawatts voltada à era da superinteligência. Lisa Su, presidente do conselho e CEO da AMD, afirmou que o Grupo Meta é um parceiro estratégico construído ao longo de anos de colaboração técnica profunda, desde processadores EPYC na infraestrutura até GPUs Instinct e software aberto para cargas de IA.
Segundo ela, com o Helios em operação no Grupo Meta, a parceria alcança nova escala, com desenvolvimento conjunto de silício, software e sistemas para os modelos mais ambiciosos de superinteligência.
CPUs EPYC Venice e a base do agente Muse
Os processadores EPYC sustentam a base do agente de IA pessoal Muse. A empresa já implantou milhões de processadores EPYC em diversas gerações e é cliente líder das CPUs EPYC de 6ª Geração “Venice”, baseadas na arquitetura de núcleo Zen 6.
O Grupo Meta também colabora com a AMD no desenvolvimento de processadores futuros, como o Verano, projetado para cargas de trabalho de IA agêntica. Uma apresentação da AMD projeta para 2028 o EPYC Florence, com chips identificados como Florence SP7 e SP8, acompanhados das descrições Nó de Host de IA Ferrara e Sandbox Agêntico Fidenza. O material posiciona o Florence como extensão da liderança EPYC para a era agêntica.
Instinct MI450 e GPUs personalizadas
No segmento de GPUs, o Grupo Meta utiliza os aceleradores Instinct da AMD para treinamento, ranking e mecanismos de recomendação. A empresa é cliente de definição inicial da série Instinct MI450 e planeja implantar uma GPU Instinct personalizada, otimizada para suas cargas de trabalho. A parceria se estende às plataformas futuras Instinct MI500 e aos sistemas em escala de rack de próxima geração.
A frota do Grupo Meta é heterogênea e combina GPUs NVIDIA, GPUs AMD e aceleradores proprietários MTIA, arranjo adotado para reduzir custos e mitigar o aprisionamento a fornecedores. O histórico extenso de otimizações específicas para NVIDIA, porém, limita a portabilidade de desempenho para outros hardwares.
Otimização de software e suporte day-0
AMD e Grupo Meta expandiram a colaboração em software para treinamento de IA em larga escala, com otimização de modelos nas GPUs Instinct MI350X e contribuições para PyTorch, Triton e ROCm. O avanço do ROCm por meio do PyTorch permite que desenvolvedores utilizem GPUs AMD imediatamente, o que viabilizou o suporte day-0 ao modelo Muse Spark Open nas GPUs Instinct e a chegada do Muse Glimmer aos PCs Ryzen AI e às GPUs Radeon.
MI350X contra B200: co-design e ganho de vazão
O artigo técnico do Grupo Meta detalha métodos de otimização de aceleradores alternativos, usando a comparação entre AMD Instinct MI350X e NVIDIA B200 no treinamento de modelos de recomendação como estudo de caso. O documento propõe três princípios reutilizáveis:
- Co-design hardware-modelo: em vez de portar modelos diretamente de GPUs NVIDIA, a revisão das estruturas dos modelos e das receitas de software permite explorar os pontos fortes específicos do acelerador, como a capacidade de HBM 1,6x maior da MI350X em relação à B200.
- Fórmula de rendimento: um cálculo que determina o rendimento do sistema e escolhe as melhores ferramentas de processamento sem precisar de testes prévios, funcionando com vários formatos de arquivos e modelos reais.
- Fluxos de trabalho agênticos: uso de fluxos maduros que reduziram a barreira para portar do ecossistema CUDA, estendidos para otimizações de kernel cientes da microarquitetura e geração de shims personalizados.
Comparado ao sistema original convertido sem mudanças, esse grupo de técnicas entrega até 1,5x mais velocidade no treinamento do início ao fim.
De acordo com o documento, este é o primeiro relatório de uma grande empresa de tecnologia sobre o uso real de chips gráficos AMD para treinar sistemas gigantes, com melhorias enviadas diretamente para as ferramentas de código aberto PyTorch, Triton e ROCm. A combinação de CPUs EPYC (incluindo Venice), sistemas Helios em escala de rack e GPUs Instinct com co-otimização profunda de software e ecossistemas abertos viabiliza os modelos mais ambiciosos do Grupo Meta e reduz a dependência de qualquer fornecedor único.
Fonte original: Adrenaline