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Indústria da moda adota inteligência artificial e modelos temem substituição

Marcas de roupas utilizam imagens criadas por inteligência artificial para reduzir custos, gerando preocupações sobre a exploração de réplicas digitais e a perda de postos de trabalho para modelos.

Por Redação •

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Indústria da moda adota inteligência artificial e modelos temem substituição

A inteligência artificial tem ganhado espaço como diferencial competitivo em empresas e na indústria da moda, onde modelos criados por tecnologia permitem que marcas produzam imagens realistas para lojas on-line e reduzam os custos em 90% ou mais em comparação com sessões fotográficas tradicionais com profissionais humanos. No entanto, a tecnologia é vista por profissionais do setor como uma ameaça à sobrevivência da profissão.

Devido à escassez de regras claras sobre a propriedade e o uso de réplicas digitais, modelos correm o risco de ter suas imagens reproduzidas sem remuneração adicional ou de serem substituídos por versões inteiramente artificiais. Para investigar essa transformação econômica no trabalho de modelo, a Reuters entrevistou 15 diretores de agências e analisou mais de uma dúzia de contratos confidenciais de sessões fotográficas.

Nos documentos analisados, marcas como Diesel, Calvin Klein e L'Oréal apresentaram condições propostas para alterar imagens com inteligência artificial e definir usos futuros. Entre as exigências estavam o direito de trocar o rosto de um modelo pelo de outra pessoa, criar cópias digitais sem pagamentos extras e usar imagens corporais para treinar sistemas de IA. Enquanto marcas de fast fashion, como a espanhola Mango, adotam modelos gerados por IA em larga escala, grifes de luxo como Moncler e Gucci avançam com mais cautela ou testam campanhas na área.

Troca de rostos e gêmeos digitais nos contratos

A tecnologia permite que varejistas modifiquem repetidamente imagens de modelos com diferentes roupas por uma fração do custo de novas produções. Patrick Staal, proprietário da agência Uniko Models em Barcelona, relatou que marcas solicitam modificações em rostos, corpos, pele, idade ou expressões, além da criação de gêmeos digitais reutilizáveis.

Em uma ficha de seleção, a marca italiana Diesel pediu autorização para alterar características faciais e corporais, trocar rostos entre participantes e sobrepor rostos em outros corpos. A OTB, controladora da Diesel, informou que o documento pertencia a uma campanha específica e não reflete seus contratos habituais. Já a Reale Actives solicitou o direito de criar réplicas de modelos e utilizá-las por um ano sem remuneração extra, embora tenha afirmado que o contrato foi redigido por uma produtora parceira e que não reproduziu profissionais com IA.

Treinamento de sistemas com imagens de profissionais

Alguns contratos preveem que os próprios modelos auxiliem no treinamento dos sistemas que poderão substituí-los. Uma versão preliminar de contrato da Calvin Klein analisada exigia que o modelo autorizasse, sem pagamento adicional, o uso de imagens irreconhecíveis — sem rosto, cicatrizes ou tatuagens — para aperfeiçoar ferramentas de IA.

A L'Oréal incluiu em um contrato o direito de usar tecnologias de inteligência artificial para modificar ou adaptar a aparência de produtos e embalagens, bem como para retoques. A empresa declarou que utiliza ferramentas convencionais de IA apenas na pós-produção e edição, sem alterar a imagem do modelo.

Redução de custos e fechamento de estúdios

Empresas como a varejista europeia Zalando adotaram imagens geradas por IA e fecharam estúdios em Berlim, eliminando mais de 340 postos de trabalho e redirecionando funcionários. A About You, adquirida pela Zalando, criou a Scayle Studios para produzir imagens digitais para outros varejistas, prometendo cortes superiores a 90% nos custos de produção.

Falta de regulamentação e riscos futuros

As legislações internacionais ainda não acompanharam o ritmo de avanço tecnológico. Uma exceção é a Lei dos Trabalhadores da Moda de Nova York, que desde junho de 2025 proíbe a criação ou modificação de réplicas de modelos sem consentimento explícito. A Associação Britânica de Agentes de Modelos também elaborou um código de conduta exigindo consentimento e a propriedade do gêmeo digital pelo profissional, embora especialistas alertem que jovens talentos podem ignorar os impactos a longo prazo de ceder tais direitos.


Fonte original: G1


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