A ex-COO do Xbox, Helen Chiang, se pronunciou publicamente pela primeira vez após sua demissão repentina, ocorrida poucos meses após assumir o cargo na divisão de jogos da Microsoft. Em uma publicação feita em sua rede profissional nesta segunda-feira (2), a ex-executiva contestou reportagens veiculadas por veículos como Eurogamer e The Verge, que alegavam que ela havia sido desligada por suposta "violação de políticas".
“Tem havido algumas especulações sobre a minha saída repentina da Microsoft, incluindo alegações de que fui ‘demitida por violação de políticas’”, declarou Chiang. Sem entrar em detalhes sobre o motivo exato de seu desligamento, ela afirmou que a narrativa construída em sua ausência não condiz com sua trajetória: “O que não foi dito criou uma imagem de mim que mal reconheço”.
Esclarecimentos sobre vazamentos e lealdade à empresa
Durante o pronunciamento, a ex-executiva desmentiu veementemente qualquer envolvimento com o vazamento de informações confidenciais para a imprensa. Ela garantiu que nunca manteve contato com jornalistas fora do escopo de entrevistas limitadas e estritamente autorizadas pela companhia ao longo de suas funções.
Chiang também refutou os boatos de que teria deixado a Microsoft com o objetivo de migrar para uma empresa concorrente no mercado de games. Com uma carreira de mais de duas décadas na corporação — período em que teve passagens de destaque na liderança do Minecraft, da Mojang e do Xbox Live —, ela enfatizou seu vínculo com a instituição. “Você não passa duas décadas em um lugar sem desenvolver uma profunda lealdade às pessoas, equipes e negócios que ajudou a construir”, pontuou, lembrando que sua última entrevista de emprego havia ocorrido em 2011.
Além disso, a ex-COO negou categoricamente qualquer participação em episódios de discriminação, bullying, assédio, negociação com base em informações privilegiadas (insider trading), desvio de verbas ou quaisquer outras práticas fraudulentas. “Eu me orgulho do meu histórico: tanto dos resultados que entreguei quanto da maneira como tratei as pessoas ao longo da minha carreira. Não deixarei que especulações definam meu caráter ou apaguem esse histórico”, acrescentou.
“Compartilho isso porque não quero que minha saída seja reduzida a uma história imprecisa sobre incompetência, ambição pelo próximo grande cargo ou um escândalo no nível de Nelson. Minha história é sobre permanecer fiel aos valores fundamentais, especialmente quando é difícil. Esse é o legado que espero deixar para trás”, concluiu Chiang.
Críticas à condução do caso e apoio externo
A forma como a saída da executiva foi tratada gerou críticas por parte de Chiang e encontrou eco em outras figuras do mercado. Shannon Loftis, ex-executiva da empresa, questionou publicamente a origem dos vazamentos sobre a suposta violação de diretrizes corporativas.
“Uma liderança de verdade teria ido atrás incansavelmente do autor do vazamento e tomado as medidas cabíveis, porque ‘assuntos confidenciais de pessoal’ são, na verdade, base para processos de difamação”, escreveu Loftis, acrescentando que a situação tomou proporções desordenadas.
Procurada para comentar o episódio, a Microsoft declarou em nota enviada ao portal Windows Central que “não discute questões individuais de funcionários”.
Contexto de reestruturação no Xbox
A saída de Helen Chiang ocorre em um momento de profundas transformações na estrutura organizacional do Xbox. Promovida ao cargo de COO em julho, com a responsabilidade de gerenciar lucros e perdas de ponta a ponta em conteúdo, hardware e serviços, sua gestão durou poucos meses.
No comunicado interno que anunciou o desligamento, a CEO do Xbox, Asha Sharma, agradeceu pelos anos de serviços prestados e desejou sucesso à ex-colega, informando que novos detalhes sobre a liderança da operação de COO seriam divulgados posteriormente.
O desligamento da executiva insere-se em um plano mais amplo de reestruturação da divisão de games da Microsoft, que projeta a demissão de até 3,2 mil colaboradores até o término do ano fiscal de 2027. Paralelamente, a companhia disponibilizou um programa de saída voluntária para cerca de 60 mil funcionários, como parte de seus esforços estratégicos para intensificar investimentos na área de inteligência artificial.
Fonte original: Canaltech