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Tombo bilionário nas bolsas: o desafio das gigantes de tecnologia com os altos custos da inteligência artificial

Investimentos bilionários em infraestrutura de IA geram preocupação em Wall Street, provocando quedas históricas nas ações de big techs e reduzindo o patrimônio de bilionários.

Por Redação •

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Tombo bilionário nas bolsas: o desafio das gigantes de tecnologia com os altos custos da inteligência artificial

As gigantes do setor de tecnologia têm intensificado os aportes financeiros para avançar na corrida da inteligência artificial (IA), mas o cenário começou a preocupar o mercado financeiro. Os investidores passam a questionar quando e como esses volumes expressivos de capital se transformarão efetivamente em lucro.

Na quinta-feira (29), após a divulgação de balanços trimestrais que indicaram números elevados de investimentos em infraestrutura de IA e projeções de novos gastos, as ações da Alphabet, controladora do Google, despencaram 12,64%. O movimento representou a maior queda diária da empresa desde a sua abertura de capital, em 2004.

De acordo com um levantamento da consultoria Elos Ayta, a desvalorização fez a companhia perder US$ 493,9 bilhões em valor de mercado em um único pregão. O impacto estendeu-se a outras companhias: a Amazon registrou queda de aproximadamente 7%, eliminando quase US$ 200 bilhões de seu valor de mercado. Somadas, Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft perderam cerca de US$ 900 bilhões após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre.

A pressão refletiu-se nos principais índices de Wall Street no encerramento do pregão de sexta-feira (30). O índice Nasdaq recuou 2,9%, atingindo os 25.437 pontos e alcançando o menor nível em quase três meses. O S&P 500 caiu 1,8%, aos 7.580 pontos, enquanto o Dow Jones registrou baixa de 1,1%, fechando aos 51.770 pontos.

O movimento de baixa também afetou fabricantes de chips e outras empresas do setor. A Intel teve um dos piores desempenhos do período, com tombo de 28,6% em suas ações, a maior queda diária registrada pela companhia desde 1974. A desvalorização da fabricante também foi influenciada por desafios internos, como a fraqueza no mercado de computadores pessoais, dificuldades na produção de chips e altos custos operacionais para ampliar a capacidade fabril. A Nvidia recuou 4,2%, a AMD perdeu 10,9% e o índice de semicondutores caiu 7,2%.

Redução na fortuna de bilionários

A forte desvalorização das ações das empresas de tecnologia impactou diretamente o patrimônio de alguns dos empresários mais ricos do mundo, cujas fortunas estão majoritariamente atreladas às participações acionárias que detêm em seus negócios.

Dados do Bloomberg Billionaires Index apontam que Larry Page e Sergey Brin, cofundadores do Google, sofreram uma redução conjunta de US$ 60,7 bilhões em suas fortunas na quinta-feira (29). A perda de Page foi estimada em US$ 31,6 bilhões, enquanto o patrimônio de Brin encolheu US$ 29,1 bilhões. No mesmo período, Jeff Bezos, fundador da Amazon, registrou queda de US$ 9,48 bilhões em seus bens. As perdas combinadas dos três empresários totalizaram US$ 70,18 bilhões. A variação reflete a oscilação do mercado acionário e não a retirada de recursos ou venda de ações com prejuízo.

Investimentos recordes e cobrança por resultados

A pressão sobre as companhias decorre da escala dos investimentos necessários para desenvolver a infraestrutura de inteligência artificial. Segundo levantamentos baseados em dados da agência Reuters, Amazon, Meta, Microsoft e Alphabet elevaram conjuntamente os aportes em infraestrutura de US$ 113 bilhões para US$ 207 bilhões em um ano, com previsão de mais US$ 232 bilhões para o trimestre seguinte e estimativas de gastos de capital que podem atingir US$ 740 bilhões em 2026.

Os recursos são direcionados predominantemente à construção de centros de processamento de dados, aquisição de semicondutores e expansão da infraestrutura técnica. No terceiro trimestre, a Amazon investiu cerca de US$ 75,9 bilhões, enquanto a Alphabet destinou mais de US$ 50 bilhões, a Microsoft aplicou US$ 45,2 bilhões e a Meta registrou despesas de US$ 35 bilhões.

Uma análise ampliada considerando Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta e Oracle indica que, nos primeiros nove meses de 2026, essas cinco empresas investiram juntas US$ 556,9 bilhões, montante superior aos US$ 542,9 bilhões gerados por suas operações no período. O resultado transformou o saldo positivo de fluxo de caixa livre de US$ 143,5 bilhões registrado nos primeiros nove meses de 2025 em um resultado negativo de US$ 14 bilhões no ciclo atual.

Especialistas apontam que o mercado financeiro reconhece a demanda contínua por tecnologias de IA, mas passa a exigir maior rigor na conversão desses aportes em receitas tangíveis.

"O mercado continua confiante na demanda por inteligência artificial, como mostram os resultados crescentes da área de computação em nuvem. Mas os investidores passaram a cobrar mais das empresas: não basta anunciar grandes investimentos em IA, é preciso mostrar que eles estão se transformando em receita e, principalmente, em geração de caixa", avalia Nickolas Lobo, especialista de investimentos da Nomad.

"São bilhões de dólares destinados a centros de dados, chips e infraestrutura, enquanto a capacidade de transformar tudo isso em receita ainda está sendo construída", complementa Celso Camilo, doutor em inteligência artificial e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Recursos adicionais e captação de dívidas

Para sustentar o ritmo acelerado de expansão, as empresas têm recorrido não apenas aos recursos gerados internamente, mas também à emissão de dívidas. A Microsoft, por exemplo, captou US$ 25 bilhões por meio da emissão de títulos de dívida para cobrir finalidades corporativas e investimentos de capital.

O cenário é acompanhado de perto por analistas em função do ambiente macroeconômico, marcado pela possibilidade de taxas de juros mais elevadas, o que encarece o custo de captação e o financiamento de grandes projetos de infraestrutura.

Discussão sobre o risco de bolha

As recentes perdas nas bolsas revitalizaram os debates sobre a possibilidade de formação de uma bolha especulativa em torno da inteligência artificial, embora especialistas ressaltem que a tecnologia possui aplicabilidade prática e capacidade de transformação estrutural na economia.

"A tecnologia é real, já está sendo utilizada e tem capacidade de transformar diversos setores da economia. O que considero exagerado são algumas expectativas de valorização", pontua Celso Camilo, destacando que o risco reside na discrepância entre o potencial tecnológico e o preço atual dos ativos na bolsa com base em projeções de lucros futuros.

Para Nickolas Lobo, a análise não deve se restringir à premissa de uma bolha, mas sim ao equilíbrio entre o ritmo de expansão dos investimentos e a eficiência na geração de retorno sobre o capital empregado.


Fonte original: G1


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