Antes da febre dos serviços de streaming e dos smartphones multifuncionais, o iPod nano era um dos dispositivos mais desejados por quem buscava portabilidade para ouvir música. Compacto, leve e equipado com memória flash, o player se consolidou como um dos maiores sucessos da Apple durante os anos 2000. Mas, afinal, quanto custaria um iPod nano nos dias de hoje se os seus preços fossem corrigidos pela inflação?
Ao longo de sua trajetória, o aparelho passou por diversas transformações estéticas e funcionais, sendo comercializado a preços consideráveis para a realidade brasileira da época, quando o salário mínimo ainda estava abaixo de R$ 500. A primeira geração foi apresentada globalmente em setembro de 2005, custando US$ 199 na versão de 2 GB e US$ 249 na de 4 GB no mercado internacional, enquanto no Brasil os valores oscilavam entre R$ 745 e R$ 1.190.
Nas gerações seguintes, a Apple buscou otimizar o custo-benefício oferecendo maior capacidade de armazenamento por patamares de preço semelhantes. A segunda geração, lançada em 2006, introduziu corpo de alumínio e autonomia de até 24 horas de bateria. As edições posteriores — terceira, quarta, quinta e sexta — mantiveram-se frequentemente na faixa dos R$ 500 a R$ 800 no país, variando conforme as inovações tecnológicas implementadas.
Para mensurar o impacto financeiro atual, utiliza-se o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Como os modelos mais antigos acumulam mais tempo de inflação, os preços nominais proporcionalmente mais altos do passado fazem com que unidades pioneiras representem hoje quantias expressivas, superando em poder de compra versões mais recentes lançadas na década seguinte.
A evolução técnica do iPod nano ao longo de suas gerações marcou a história da tecnologia portátil:
- 1ª Geração (2005): Apresentou tela colorida, a clássica Click Wheel e até 4 GB de armazenamento, pesando apenas 42,5 gramas.
- 2ª Geração (2006): Ganhou revestimento em alumínio, novas opções de cores e bateria com duração de até 24 horas em um design ainda mais fino.
- 3ª Geração (2007): Ficou conhecida pela tela maior com capacidade de reproduzir vídeos, interface Cover Flow e até 8 GB de espaço.
- 4ª Geração (2008): Retornou ao formato mais esguio e curvo, incorporando acelerômetro e o recurso para trocar de música ao chacoalhar o aparelho.
- 5ª Geração (2009): Transformou o player em um dispositivo multimídia mais completo, adicionando câmera para vídeos, rádio FM, microfone e tela de 2,2 polegadas.
- 6ª Geração (2010): A mudança mais drástica eliminou a Click Wheel em prol de uma tela sensível ao toque minúscula, focando também em atividades físicas.
- 7ª Geração (2012): A última iteração trouxe tela Multi-Touch de 2,5 polegadas, Bluetooth, rádio FM, suporte ao Nike+ e 16 GB de armazenamento, pesando apenas 31 gramas e com 5,4 mm de espessura.
No mercado de itens usados, a dinâmica de preços apresenta um cenário distinto da inflação oficial. Plataformas de comércio eletrônico como Mercado Livre e OLX contam com anúncios de exemplares em variados estados de conservação:
- 3ª Geração: Encontrada por aproximadamente R$ 799.
- 4ª Geração: Anunciada na faixa de R$ 300.
- 5ª Geração: Comercializada por cerca de R$ 500.
- 6ª Geração: Precificada em torno de R$ 450.
Vale ressaltar que o valor de revenda de um aparelho vintage pode oscilar consideravelmente dependendo da integridade da bateria, estado geral de conservação, presença de acessórios originais, embalagem de fábrica e do grau de interesse por parte de colecionadores.
O iPod nano simbolizou uma era em que armazenar centenas de músicas no bolso representava o ápice da inovação tecnológica. Embora os smartphones atuais acumulem todas essas funções e ainda ofereçam acesso à internet e streaming, os compactos da Apple continuam vivos na memória afetiva dos entusiastas de tecnologia e na cultura pop dos anos 2000.
Fonte original: Canaltech