O Nintendo Switch 2 foi desbloqueado pela primeira vez por meio de software, pouco mais de um ano após o seu lançamento. Batizado de ns2jb, o método possibilita a execução de códigos não autorizados sem a obrigatoriedade de instalar modchips ou realizar intervenções físicas no hardware do videogame.
A descoberta foi apresentada pelo pesquisador Sammy Hajhamid, conhecido como “pepsipu”, e opera na versão 23.0.1 do sistema, apontada atualmente como o firmware mais recente do console. Contudo, o jailbreak apresenta restrições e não entrega o mesmo patamar de acesso obtido por usuários no modelo original do Switch.
Como funciona o jailbreak do Nintendo Switch 2?
A execução é realizada inteiramente via software, dispensando a abertura do aparelho ou a soldagem de componentes na placa principal. De acordo com o pesquisador, o ns2jb explora falhas localizadas no SmileBASIC 4, um aplicativo de programação desenvolvido para o primeiro Switch que roda no Switch 2 em razão dos recursos de retrocompatibilidade.
Uma das vulnerabilidades identificadas permite rodar códigos não autorizados e alcançar componentes privilegiados do sistema operacional, o que abrange o módulo encarregado pelo gerenciamento de arquivos e permissões bloqueadas para desenvolvedores independentes.
Trata-se de um procedimento complexo que precisa ser repetido todas as vezes em que o console é reiniciado. Informações divulgadas na quinta-feira (22/10) apontam que o SmileBASIC 4 foi retirado de determinadas regiões da Nintendo eShop, com destaque para a Europa, embora continuasse acessível em outros mercados.
O que o desbloqueio permite fazer?
A técnica fomenta novas possibilidades para pesquisas e para a criação de softwares não oficiais, comumente chamados de homebrew. Dentre as funcionalidades mapeadas estão a execução desses programas, a realização de backups de arquivos salvos, a alteração de jogos e o estudo aprofundado do hardware e do sistema do Nintendo Switch 2.
O método também viabiliza a interação com diferentes periféricos do console, fator que pode auxiliar no desenvolvimento de ferramentas experimentais. Como forma de demonstração, o pesquisador alterou o jogo Mario Kart World para inserir personagens inéditos que não integram a versão padrão do título.
O cenário atual remete aos primórdios da cena de modificação do Switch de primeira geração. No ano de 2018, uma falha associada ao chip Tegra X1 viabilizou caminhos para o ecossistema de homebrew e emulação no dispositivo da Nintendo, corporação reconhecida por sua postura rigorosa contra a pirataria digital.
Cabe destacar que o jailbreak atual carece de controle total, não grava um firmware personalizado e não viabiliza a execução de cópias piratas de jogos comerciais. O processo é categorizado como “tethered”, o que significa que as modificações são apagadas da memória e o sistema retorna ao padrão de fábrica assim que o aparelho é desligado ou reinicializado.
Uso de Inteligência Artificial no processo
O projeto também chamou a atenção pelo emprego do Codex, da OpenAI. Agentes de inteligência artificial auxiliaram na análise do console ao processarem imagens da tela e transmitirem comandos à distância, colaborando na detecção das falhas.
Contudo, a tecnologia não atuou de forma autônoma. O próprio autor do procedimento ressaltou que o desenvolvimento do jailbreak demandou cerca de duas semanas de trabalho, enquanto a modificação aplicada em Mario Kart World para fins demonstrativos levou um dia para ser concretizada com o suporte da IA.
Riscos associados ao procedimento
Modificar o console por vias não oficiais acarreta riscos operacionais. O termo de uso do Nintendo Switch 2 veda expressamente tentativas de burlar ou alterar os mecanismos de segurança do aparelho, alertando que modificações não autorizadas podem comprometer permanentemente o funcionamento do videogame ou de recursos específicos.
Embora a Nintendo ainda não tenha adotado medidas generalizadas de banimento de usuários associados ao ns2jb, testar o procedimento em um dispositivo conectado à eShop ou a serviços online envolve riscos consideráveis à integridade da conta e do hardware.
Fonte original: Tecnoblog