A holding Sea, controladora da Shopee e atuante também no setor de games por meio da Garena, está expandindo suas operações com o lançamento de uma unidade de negócios voltada para a computação em nuvem, batizada de Sea Cloud, com foco corporativo e em inteligência artificial (IA).
A nova iniciativa foi detalhada em um memorando interno assinado por Forrest Li, CEO da holding. No documento, o executivo também revelou que o grupo avalia realizar a abertura de capital (IPO) da Monee, sua divisão de serviços financeiros, que representa o terceiro pilar operacional da empresa.
Desenvolvimento em nuvem e foco em inteligência artificial
Segundo o CEO, a plataforma em nuvem disponibilizada para clientes externos foi construída ao longo de uma década e sustentou os três principais negócios da empresa com níveis elevados de custo e confiabilidade. A infraestrutura foi reestruturada para acelerar aplicações de IA em toda a operação.
“Levar uma ideia de IA do papel à produção dentro da nossa empresa agora é dramaticamente mais rápido do que era há dois anos”, escreveu Li no memorando, comparando o momento atual à época em que a Shopee priorizou dispositivos móveis antes de seus concorrentes.
Com essa diretriz, a holding tem integrado inteligência artificial em suas plataformas e firmado parcerias com empresas como a OpenAI em seu ecossistema de comércio eletrônico.
Expansão e desempenho da divisão financeira
Sobre a Monee, Li destacou que a unidade se aproxima de condições para operar de forma independente. “Abrir o capital poderia dar à empresa os recursos e o espaço para ir mais longe e mais rápido do que consegue hoje”, pontuou.
A divisão de serviços financeiros tem apresentado forte ritmo de crescimento no Sudeste Asiático e na América Latina. Entre abril e junho de 2026, a receita do braço de fintech alcançou US$ 1,4 bilhão, alta de 58,9% em comparação ao mesmo período do ano anterior. No mesmo trimestre, a receita total da holding cresceu 48,1%, atingindo US$ 7,8 bilhões.
O anúncio do memorando coincidiu com o nono aniversário da listagem da Sea na Bolsa de Nova York, ocorrida em 20 de outubro de 2017, quando a companhia captou US$ 884 milhões em seu IPO inicial.
Cenário de mercado e concorrência
As novas estratégias da Sea ocorrem em um cenário de retração nos papéis da holding, que é avaliada em US$ 54,1 bilhões e registra queda próxima de 31% ao longo de 2026. A desvalorização reflete o acirramento da concorrência no Sudeste Asiático com rivais como o TikTok Shop (da ByteDance) e o Lazada (do Alibaba).
No Brasil, a disputa no setor de comércio eletrônico envolve grandes players como Mercado Livre, Amazon e Magazine Luiza. O mercado também tem testemunhado aproximações estratégicas entre as empresas, a exemplo do anúncio recente do Magazine Luiza de comercializar produtos na plataforma da Shopee.
Além disso, a atuação em frentes diversificadas coloca a Sea em concorridos segmentos de infraestrutura tecnológica e serviços financeiros:
- Computação em nuvem: O Magazine Luiza lançou sua divisão de nuvem no final de 2023, contabilizando mais de 1,7 mil clientes ativos. A Amazon mantém forte presença com a AWS, enquanto o Alibaba expandiu sua divisão de nuvem para o Brasil.
- Serviços financeiros: O Mercado Livre lidera o setor com o Mercado Pago, mas a Sea também avança na área. Dados de um relatório do BTG Pactual indicam que a Shopee, por meio da Monee, alcançou uma carteira consolidada de cerca de R$ 8 bilhões no Brasil em agosto, representando um crescimento de 208% em relação ao volume de doze meses antes.
Fonte original: NeoFeed