A indústria do entretenimento vive uma fase de ouro para as adaptações de videogames, impulsionada pelo sucesso estrondoso de produções como a animação de Super Mario Bros., a série de The Last of Us na HBO e longas baseados em franquias de peso. No entanto, o cenário nem sempre foi favorável, e diversos projetos ambiciosos baseados em jogos amados pelo público acabaram cancelados antes mesmo de chegarem às telonas ou telas de televisão, deixando os fãs apenas com a expectativa do que poderia ter sido.
Historicamente, adaptar jogos eletrônicos era visto como um risco financeiro considerável, frequentemente associado a fracassos de bilheteria e críticas negativas. Com isso, divergências criativas entre estúdios, orçamentos astronômicos e disputas por direitos autorais selaram o destino de várias produções aguardadas. Abaixo, estão listadas seis adaptações de games que infelizmente nunca saíram do papel:
- BioShock: Datado do final dos anos 2000, o longa-metragem engavetado seria desenvolvido pela Universal Pictures com a direção de Gore Verbinski. O projeto nunca viu a luz do dia devido a divergências nos bastidores envolvendo o orçamento milionário exigido pelo diretor, que também pretendia uma classificação indicativa para maiores de 18 anos. A Universal temia os riscos financeiros e preferia uma censura mais branda, levando Verbinski a abandonar a produção.
- Halo: Antes de ganhar uma série de TV em 2022 no Paramount+, a franquia quase foi adaptada para os cinemas com produção de Peter Jackson e direção de Neill Blomkamp, com roteiro focado no Master Chief por Alex Garland. O desenvolvimento foi interrompido em 2006 devido a disputas financeiras e problemas na divisão de lucros entre Microsoft, 20th Century Fox e Universal Pictures, além dos custos altíssimos. Curiosamente, a pré-produção aproveitada serviu de base para o diretor rodar o aclamado Distrito 9 (2009).
- Metroid: Anunciado em 2004, após a produtora do diretor John Woo adquirir os direitos para adaptar o jogo de tiro e exploração. O filme acabou cancelado porque a Nintendo impôs uma série de restrições criativas severas para impedir alterações no cânone e na história de origem de Samus Aran. Após impasses contínuos sobre o roteiro, a produtora perdeu os direitos em 2007.
- Sly Cooper: Anunciada em 2014 pela Sony Pictures em parceria com a Blockade Entertainment, a animação do guaxinim ladrão tinha previsão de lançamento para 2016. No entanto, o fracasso de bilheteria da adaptação de Ratchet & Clank — produzido pelo mesmo estúdio de games — fez a Sony optar por engavetar o projeto para evitar novos prejuízos financeiros.
- The Sims: A popular franquia de simulação quase ganhou uma versão live-action em formato de comédia desenvolvida pela 20th Century Fox nos anos 2000. O projeto exigia um orçamento robusto voltado para efeitos visuais, o que deixou o estúdio receoso em arcar com os custos em uma época em que adaptações de games sofriam nas bilheterias. O filme permaneceu em compasso de espera até ser cancelado definitivamente em 2019, após a aquisição da Fox pela Disney.
- Splinter Cell: Anunciada em 2012 pela Ubisoft, a adaptação cinematográfica prometia uma abordagem grandiosa com direção de Doug Liman e o ator Tom Hardy escalado como o protagonista Sam Fisher. Oficialmente cancelada em 2024, a produção sofreu por anos com impasses na definição de uma direção criativa sólida para o roteiro e com estouros de orçamento que culminaram no fim definitivo da iniciativa.
Apesar desses tropeços históricos e do engavetamento de tantas promessas do passado, o mercado audiovisual atual demonstra uma sinergia muito mais madura com o universo dos jogos eletrônicos. Com dezenas de novas obras em andamento, Hollywood continua apostando alto na rica narrativa dos videogames para atrair tanto jogadores quanto o público geral aos cinemas e plataformas de streaming.
Fonte original: Canaltech