Ken Kutaragi, amplamente reconhecido como o criador do PlayStation, manifestou apoio público à estratégia da Sony de gradualmente abandonar os jogos em formato de mídia física. Em declarações concedidas ao portal VGC, o executivo ponderou que, embora compreenda a frustração e a resistência inicial de parcela da comunidade de jogadores, a manutenção dos discos deixou de ser viável do ponto de vista financeiro.
Para Kutaragi, a rejeição demonstrada por parte do público em relação ao fim dos discos está diretamente associada a uma questão de adaptação cultural e mudança de mentalidade. O veterano da indústria argumenta que a infraestrutura tecnológica atual difere drasticamente das gerações anteriores, sendo caracterizada por uma população global massivamente conectada à internet de alta velocidade.
Segundo o criador do console, a dependência de mídias físicas perdeu o sentido prático em um ecossistema digital consolidado. Kutaragi recordou que, embora as conexões de rede já estivessem presentes em eras passadas como o PlayStation 2 e o PlayStation 3, a capilaridade da internet não se comparava à realidade contemporânea, na qual o acesso digital é onipresente.
Além de defender o fim dos jogos em cartuchos e discos, Kutaragi vislumbra um futuro ainda mais integrado ao streaming, sugerindo que o mercado caminha para um cenário onde os consoles físicos tradicionais poderão se tornar obsoletos, impulsionados pelo crescimento dos serviços de transmissão e pela necessidade de mitigar os custos crescentes dos componentes de hardware. O criador fez questão de ressaltar, contudo, que suas projeções refletem análises pessoais e não constituem um posicionamento oficial da Sony Computer Entertainment.
A visão externada por Kutaragi ecoa um movimento estratégico adotado por grandes corporações do setor de entretenimento eletrônico ao longo da última década. Desde a sétima geração de consoles, o mercado tem buscado alternativas para reduzir a relevância da revenda, do empréstimo e da troca de mídias físicas entre consumidores e varejistas, consolidando o ecossistema digital como o padrão definitivo para a distribuição de software.
Fonte original: Canaltech