Anos antes de alcançar enorme sucesso na aclamada produção The Boys, o renomado ator Karl Urban mergulhou de cabeça no universo da ficção científica através da série Almost Human. Desenvolvida pela emissora Fox, a obra acabou caindo no esquecimento do grande público, mas conseguiu cultivar uma parcela extremamente fiel de admiradores graças à sua marcante estética cyberpunk.
Funcionando como uma verdadeira amalgama entre as atmosferas clássicas de Blade Runner e RoboCop, Almost Human foi originalmente ao ar no ano de 2013, tendo sua exibição encerrada após apenas uma única temporada. O programa deixou saudades profundas naqueles que acompanhavam a transmissão na época, especialmente entre os entusiastas mais assíduos do gênero de ficção científica.
Contando com o prestigiado J. J. Abrams atuando na equipe como produtor executivo, a série conseguiu emplacar exatamente 13 episódios no total. Além de Karl Urban, o projeto reuniu um talentoso elenco composto por:
- Michael Ealy (conhecido por Pense como Eles)
- Mackenzie Crook (conhecido por Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra)
- Minka Kelly (conhecida por Ransom Canyon)
Qual é a premissa de Almost Human?
Situada no ano de 2048, Almost Human apostou em um clima futurista bastante imersivo para explorar a intrincada relação entre seres humanos e a tecnologia avançada, levantando questionamentos profundos sobre ética e consciência em uma realidade que poderia facilmente ter sido concebida nas páginas de autores consagrados como Philip K. Dick ou Isaac Asimov.
Na trama central, o público acompanha a jornada de John Kennex, personagem interpretado por Karl Urban. Ele vive em uma realidade alternativa na qual a tecnologia extremamente avançada permite que androides trabalhem lado a lado com as forças policiais no combate ao crime urbano. Carregando um histórico conturbado, Kennex se vê obrigado a aceitar Dorian — um androide de modelo antigo interpretado por Michael Ealy, que se destaca por ser capaz de simular emoções humanas — como seu novo parceiro de patrulha.
Contudo, o protagonista enfrenta sérias dificuldades para aceitar o companheiro sintético. Essa resistência é alimentada por desconfianças profundas voltadas à tecnologia, além de traumas psicológicos e físicos causados por um incidente violento do passado que lhe custou uma perna e a vida de seu antigo colega de campo.
Mundo cyberpunk e a dinâmica entre humano e máquina
Apesar de não ter tido tempo de vida suficiente para aprofundar adequadamente todos os seus complexos conceitos e mitologias, Almost Human conquistou os entusiastas de sci-fi da época pela maneira singular como uniu a ambientação tipicamente cyberpunk à dinâmica contrastante entre dois protagonistas completamente diferentes: um policial humano cético e um androide empático.
O programa também atraiu olhares atentos ao introduzir elementos tecnológicos futuristas fascinantes e tramas de mistério envolvendo assassinatos de clones. A série imaginou corajosamente uma realidade onde os impactos sociais da inovação tecnológica vão muito além do uso cotidiano de dispositivos inteligentes, escancarando como modificações corporais, implantes sintéticos e humanos geneticamente modificados criam um universo distópico onde a linha divisória entre humanos e máquinas se torna cada vez mais tênue e inexistente.
Apesar de introduzir elementos temáticos altamente pertinentes e atuais para o mundo contemporâneo, Almost Human não conseguiu caminhar com as próprias pernas em direção ao futuro. A Fox acabou não sabendo exatamente como gerenciar o programa diante de outras prioridades e sucessos comerciais da emissora na época, permitindo que a obra acabasse relegada ao esquecimento ao longo dos anos.