O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China divulgou recentemente as novas metas previstas para o setor automotivo dentro do 15º Plano Quinquenal, abrangendo o período de 2026 a 2030. Entre as principais diretrizes estabelecidas pelo governo chinês, determinou-se que os veículos eletrificados do país deverão representar expressivos 70% das vendas totais de carros de passeio até o final da década. Além disso, a frota de elétricos precisará alcançar um consumo médio de energia estimado em 8,7 km/kWh.
Essa movimentação regulatória no mercado asiático possui relevância internacional devido ao forte efeito cascata que deve se refletir diretamente no Brasil. Atualmente, o mercado brasileiro depende fortemente dessa indústria, visto que mais de 90% dos veículos 100% elétricos comercializados no país são importados de grandes fabricantes chinesas, a exemplo de marcas como BYD, Geely, GWM e Leapmotor.
Paralelamente às metas de vendas, a estratégia da China contempla direcionar investimentos pesados para o desenvolvimento de baterias de estado sólido. Esses novos componentes despertam enorme interesse tecnológico e econômico, uma vez que possuem a capacidade técnica de entregar uma densidade energética até quatro vezes superior quando comparada aos padrões atuais encontrados no mercado.
Para compensar o maior consumo energético registrado por utilitários esportivos (SUVs) e sedãs de maior porte na média geral da frota, especialistas apontam que os modelos hatches urbanos precisarão atingir índices de eficiência próximos a 11,1 km/kWh. Esse ganho tecnológico tem o potencial de elevar a autonomia dos veículos compactos para aproximadamente 350 quilômetros por carga, sem a necessidade de ampliar a capacidade física da bateria ou modificar o tamanho das células, contribuindo diretamente para a redução do custo final ao consumidor.
Para que as montadoras consigam cumprir rigorosamente a média global estipulada pelas autoridades chinesas, modelos de grande volume e popularidade entre os motoristas — como o BYD Dolphin Mini — precisarão passar por aprimoramentos significativos para se tornarem ainda mais eficientes.
Como parte do pacote de inovação, o país asiático também planeja alocar recursos no programa 'IA + Automóvel'. Trata-se de uma iniciativa estratégica que utilizará algoritmos avançados de inteligência artificial para otimizar funções críticas como o gerenciamento térmico, sistemas de frenagem regenerativa e a distribuição inteligente de torque, permitindo extrair maior rendimento e quilometragem de cada recarga.
Fonte original: Canaltech