A Nintendo consolidou seu nome como uma das pilastras fundamentais da indústria de jogos eletrônicos, mas sua trajetória secular também é marcada por excentricidades e controvérsias notáveis. Ao longo de mais de 130 anos de existência, a empresa japonesa transitou por diferentes fases que geraram episódios curiosos, disputas legais improváveis e decisões operacionais que pegaram o público e o mercado de surpresa.
Para compreender como a 'Big N' moldou sua identidade única, é preciso olhar para o passado e relembrar algumas das situações mais peculiares que envolveram a marca, desde o período anterior aos videogames até a era moderna dos consoles.
- O período diversificado dos anos 1960: Antes de se consolidar nos games, a Nintendo enfrentou forte instabilidade na produção de cartas de baralho e buscou alternativas para evitar a falência. Entre as empreitadas mais inusitadas da época, a companhia administrou brevemente um 'love hotel' (motel) em Kyoto, além de gerenciar uma frota de táxis e comercializar arroz instantâneo, práticas que foram abandonadas com o tempo.
- A Batalha Judicial de Donkey Kong: Nos anos 1980, a Universal Studios processou a fabricante alegando que Donkey Kong seria uma cópia e paródia de King Kong. A Nintendo contratou o advogado John Kirby, que descobriu que a própria Universal já havia argumentado anteriormente que o gorilão estava em domínio público. A vitória nos tribunais garantiu os direitos da empresa e inspirou o nome do icônico personagem Kirby.
- O sangue censurado de Mortal Kombat: Durante a intensa rivalidade com a SEGA na década de 1990, a versão de Mortal Kombat para os consoles da Nintendo teve o sangue alterado para a cor cinza, sob a justificativa de que se tratava de 'suor'. A manobra pretendia preservar a imagem familiar da marca, mas acabou beneficiando a concorrente e evidenciando a necessidade de classificações indicativas mais claras.
- As lesões causadas por Mario Party: O primeiro Mario Party (1999) trazia minigames intensos que exigiam giros rápidos no direcional analógico do Nintendo 64. O esforço físico gerou bolhas, queimaduras por fricção e lesões em nervos de crianças. O problema resultou em uma ação movida por um procurador de Nova York e em um acordo no qual a Nintendo gastou US$ 80 milhões para produzir e distribuir luvas protetoras aos jogadores.
- O recall dos controles de Wii Sports: No auge do Nintendo Wii, a alça de segurança dos controles se rompia com facilidade durante partidas empolgadas, fazendo com que os periféricos fossem arremessados contra televisores. Diante de dezenas de processos por suposto descaso, a empresa realizou um recall massivo dos controles, enviando alças reforçadas e capas de silicone para os consumidores.
- A campanha da PETA contra Super Mario 3D Land: Após o lançamento do jogo em 2011, a organização de direitos dos animais PETA criticou a Nintendo, acusando a mecânica da roupa de tanuki de incentivar o esfolamento de animais reais. A polêmica incluiu o lançamento de um jogo em flash satírico, forçando a empresa a emitir notas reiterando que a transformação era estritamente lúdica e fantasiosa.
- O gosto amargo das fitas do Nintendo Switch: Para evitar que bebês e crianças pequenas engolissem os pequenos cartuchos do Switch, a fabricante aplicou benzoato de denatônio, um composto químico extremamente amargo, na superfície das mídias. Contudo, a medida de segurança acabou gerando um desafio viral nas redes sociais, onde usuários testavam o sabor das fitas por curiosidade.
- O fenômeno da Bowsette: Com a revelação da Super Crown em New Super Mario Bros U. Deluxe (2019) — item que transformava Toadette na Princesa Peach —, a internet criou spontaneamente a personagem Bowsette, versão humana e feminina do vilão Bowser utilizando o item. A onda de criações de fãs e discussões globais tomou proporções gigantescas, embora a Nintendo nunca tenha canonizado a personagem nos jogos oficiais.
Esses episódios demonstram que a trajetória da empresa é repleta de reviravoltas inesperadas, consolidando seu papel singular na história do entretenimento digital.
Fonte original: Canaltech