A montadora japonesa Toyota revelou que seu recente plano de investir anualmente US$ 6,4 bilhões em processos de automação, com início marcado para 2028, não tem como objetivo substituir sua força de trabalho humana. Pelo contrário, a iniciativa busca integrar o esforço humano ao avanço tecnológico.
O foco dessa transição inclui o uso dos robôs ELEY. Com um design que combina mobilidade sobre rodas com dois braços e mãos articuladas, essas máquinas serão direcionadas para trabalhos que exigem alta precisão. O diferencial do projeto é o treinamento, que será realizado pelos próprios funcionários das fábricas por meio de uma espécie de “estágio” tecnológico. Segundo o portal Ars Technica, os colaboradores estão utilizando moldes baseados nas mãos dos robôs para executar tarefas específicas; posteriormente, esses movimentos serão processados via aprendizado de máquina e reproduzidos pelos humanoides nas linhas de produção.
Essa dinâmica reforça a visão de que a mão de obra humana permanece indispensável para calibrar e aprimorar sistemas automatizados. Um exemplo recente ocorreu em junho, quando a Ford precisou recontratar cerca de 300 funcionários para ajustar e treinar a inteligência artificial implementada em suas fábricas, após identificar falhas na automação. Contudo, apesar dessa necessidade técnica, especialistas ressaltam que episódios de demissões em massa frequentemente sucedem os períodos de implementação e ajuste robótico.
O avanço da robótica no setor automotivo
O papel ativo dos trabalhadores no treinamento dessas máquinas surge como um contraponto a um cenário de apreensão global. De acordo com um relatório recente do Pew Research Center, há um temor generalizado entre a população sobre o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho — um receio que ecoa fortemente no Japão e nos Estados Unidos, nações que abrigam cerca de 70 fábricas da Toyota.
A automação, no entanto, não é novidade no setor. Muito antes do desenvolvimento de robôs humanoides, a indústria automotiva já dependia de modelos industriais convencionais, como braços mecânicos, essenciais na fabricação de peças e nas etapas de montagem. Segundo dados da Federação Internacional de Robótica, o Japão consolidou-se como o segundo país com a maior frota de robôs industriais, ultrapassando 450 mil unidades registradas em 2024, ficando atrás apenas da China, que lidera o ranking com 2 milhões de modelos em operação. Os Estados Unidos contabilizam 34,2 mil unidades.
O movimento em direção à IA física também é acompanhado por outras gigantes do mercado de veículos, como a Tesla, que adota robôs de forma ostensiva em suas linhas de montagem. Esse movimento ganha ainda mais força entre as fabricantes de veículos elétricos. Em junho, Stella Li, vice-presidente executiva da BYD, ressaltou que a produção desses novos humanoides tem sido facilitada pela convergência natural entre as tecnologias aplicadas no desenvolvimento de hardware e software para carros elétricos.
Fonte original: Tecnoblog